Você percebe mais fios caindo em certas épocas do ano? A queda de cabelo na mudança de estação pode ter relação com variações naturais do ciclo capilar. Mas, antes de colocar toda a responsabilidade no clima, vale observar o que está acontecendo: queda persistente, quebra e ressecamento têm diferenças que ajudam a entender o problema.
O frio e o calor também entram nessa história por caminhos distintos. Banhos muito quentes, baixa umidade do ar e exposição solar podem afetar tanto a estrutura dos fios quanto o couro cabeludo. Por isso, o cuidado começa por separar os efeitos do ambiente de alterações que precisam de avaliação.
Queda ou quebra: como diferenciar?
A perda de volume pode chamar a atenção nos dois casos, mas queda e quebra acontecem de maneiras diferentes. Na quebra, o fio se rompe ao longo do comprimento. Na queda, ele se desprende do folículo piloso, estrutura da qual cresce.
Ressecamento, calor excessivo, exposição solar e procedimentos químicos podem fragilizar a fibra capilar e favorecer a quebra. Já a queda pode acompanhar o ciclo natural dos cabelos ou indicar condições que interferem nesse processo.
“É fundamental compreender que a quebra da haste capilar e a queda decorrente de alterações no ciclo folicular são fenômenos diferentes, embora possam coexistir”, explica a Dra. Gabriela Chequer, médica e professora de Dermatologia da Afya Educação Médica Itaperuna.
Essa distinção importa porque um fio danificado pelo sol ou pelo secador não indica, necessariamente, uma alteração no ciclo de crescimento. A gente pode perceber menos volume, mas a causa desse resultado precisa ser investigada.
O que explica a queda de cabelo na mudança de estação?
O ciclo capilar apresenta variações ao longo do ano, o que pode tornar a queda mais perceptível em determinados períodos.
Um estudo publicado na revista científica Dermatology, que acompanhou 823 mulheres durante seis anos, identificou uma proporção maior de fios na fase telógena durante o verão. Essa etapa antecede a eliminação natural dos cabelos e ajuda a explicar a influência das estações.
“Embora exista uma sazonalidade fisiológica dos cabelos, é importante compreender que os fatores ambientais também influenciam a saúde capilar”, explica a Dra. Gabriela.
A especialista ressalta que a queda é um sinal clínico, e não um diagnóstico. Alterações hormonais, deficiências nutricionais, predisposição genética e estresse físico ou emocional também podem estar envolvidos. Assim, uma perda persistente ou acompanhada de redução da densidade dos fios não deve ser atribuída exclusivamente ao calendário.

No frio, o banho quente e o couro cabeludo merecem atenção
O frio, isoladamente, não é considerado uma causa direta de queda capilar. Já a baixa umidade e os banhos muito quentes, comuns nessa época, podem favorecer o ressecamento da pele e alterações na sua barreira protetora.
Esse cenário pode agravar condições inflamatórias, como a dermatite seborreica, popularmente associada à caspa. Ela envolve a produção de sebo, a microbiota do couro cabeludo e a resposta inflamatória de cada pessoa. Quando se intensifica, pode provocar descamação, coceira e vermelhidão e, em alguns casos, contribuir para um aumento transitório da queda.
Nos fios, a água muito quente e o calor excessivo do secador podem comprometer a camada lipídica protetora e a cutícula, estrutura que protege a fibra capilar. O resultado pode aparecer como aspereza, opacidade, ressecamento e maior facilidade para quebrar.
Um estudo publicado na revista Annals of Dermatology demonstrou que os danos à superfície dos cabelos aumentam conforme a temperatura da secagem se eleva.
“Isso não significa que o secador deva ser evitado, mas que sua utilização precisa ser adequada, preferencialmente com temperaturas moderadas, mantendo uma distância segura dos fios e evitando a exposição prolongada ao calor em uma mesma região”, orienta a Dra. Gabriela.
No calor, os efeitos vão da irritação aos danos solares
Nos períodos mais quentes, transpiração, umidade e exposição solar podem favorecer a irritação do couro cabeludo e agravar condições dermatológicas em pessoas predispostas.
Segundo a especialista, suor e oleosidade, por si só, não são causas diretas de queda. Quando associados a processos inflamatórios persistentes, porém, podem contribuir para o agravamento de problemas preexistentes.
Como o sol afeta os fios
A exposição excessiva à radiação ultravioleta pode provocar danos oxidativos à estrutura dos cabelos, em um processo chamado fotoenvelhecimento capilar.
De acordo com a dermatologista, a radiação UVB atua principalmente nas camadas externas dos fios, enquanto a UVA penetra mais profundamente. Essas alterações podem comprometer proteínas, lipídios e melanina, pigmento responsável pela cor natural dos cabelos.
A médica descreve os efeitos: “Na prática, os efeitos incluem ressecamento, perda de brilho, aumento da porosidade, alterações na cor e redução da resistência dos fios”.
Cabelos claros, descoloridos ou submetidos a procedimentos químicos podem ser mais vulneráveis, segundo a especialista. E a atenção ao sol também precisa incluir a pele sob os fios.
“O couro cabeludo também precisa de fotoproteção, principalmente em pessoas com cabelos rarefeitos ou áreas em que a pele fica mais exposta à radiação solar”, pontua a Dra. Gabriela.
Cuidados que fazem sentido em qualquer estação
Alguns ajustes na rotina ajudam a preservar os fios e o couro cabeludo ao longo do ano. As orientações da especialista incluem:
- Evitar banhos muito quentes, que podem favorecer o ressecamento e comprometer a barreira protetora da pele.
- Moderar a temperatura do secador, manter uma distância segura dos cabelos e evitar concentrar o calor na mesma região por muito tempo.
- Adequar a frequência das lavagens ao couro cabeludo. Evitar lavar por medo de aumentar a queda não traz benefício.
- Adotar medidas de fotoproteção no couro cabeludo, especialmente nas áreas com rarefação ou diretamente expostas ao sol.
- Observar alterações persistentes, como queda intensa, redução da densidade, coceira, vermelhidão e descamação importante.
Se você percebe esses sinais, a avaliação dermatológica ajuda a identificar a causa e orientar o tratamento. A Dra. Gabriela alerta que algumas formas de alopecia podem provocar danos irreversíveis aos folículos quando não são diagnosticadas e tratadas precocemente. Por isso, esperar a estação mudar nem sempre resolve o problema.








