The Bold Type: você vai querer essas amigas

Natalia Macedo

The Bold Type

Um trabalho dos sonhos, um armário cheio de referências de moda e duas amigas para dividir as crises entre uma reunião e outra. The Bold Type reúne essa combinação ao acompanhar Jane, Sutton e Kat, três jovens que tentam construir suas carreiras enquanto descobrem o que querem da vida.

O ponto de encontro é a Scarlet, uma revista feminina em Nova York. Jane trabalha com jornalismo, Kat atua nas redes sociais e Sutton busca espaço na produção de moda. As ambições são diferentes, mas as três compartilham aquela sensação bastante familiar de querer avançar sem saber exatamente qual deve ser o próximo passo.

A série está concluída em cinco temporadas, com seis episódios na última. Para quem gosta de começar uma história sabendo que ela tem encerramento, esse já é um atrativo. Mas há outros bons motivos para conhecer o trio.

1. A amizade tem tanto espaço quanto os romances

Jane, Sutton e Kat encontram umas nas outras espaço para comemorar conquistas, admitir inseguranças e conversar sobre escolhas difíceis. O closet da revista vira um ponto de encontro para essas trocas, entre roupas, acessórios e problemas que nenhuma delas consegue deixar totalmente do lado de fora do trabalho.

O vínculo funciona porque existe disposição para ouvir e participar da vida da outra. Elas discordam, cometem erros e precisam rever atitudes, mas a amizade continua sendo uma relação que merece tempo e cuidado.

É fácil terminar um episódio com vontade de mandar mensagem no grupo das amigas. Ou de marcar aquele encontro que vocês vivem adiando.

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2. Crescer na carreira também significa se questionar

Pedir uma oportunidade, apresentar uma ideia e descobrir como reagir a uma crítica fazem parte do cotidiano das protagonistas. Cada uma tenta ocupar seu espaço e entender o que está disposta a fazer para chegar aonde deseja.

A relação com profissionais mais experientes também rende bons momentos. Jacqueline, a editora-chefe da Scarlet, orienta e desafia as jovens, especialmente Jane. Sua presença abre espaço para pensar em uma liderança que combina exigência, escuta e incentivo.

Claro que a rotina da revista tem uma dose generosa de fantasia televisiva. Ainda assim, o receio de falhar, a vontade de ser reconhecida e a dúvida sobre o próximo movimento profissional são bem reconhecíveis.

3. O feminismo entra nas escolhas cotidianas

Sexo, autonomia, saúde e expectativas sobre o comportamento feminino atravessam as histórias. Esses assuntos aparecem tanto nas pautas da Scarlet quanto nas experiências das protagonistas, que nem sempre encontram respostas simples para o que vivem.

A série rende mais quando permite que suas personagens tenham contradições. Defender uma ideia pode parecer fácil até que ela encontre uma insegurança, um relacionamento ou uma decisão profissional.

Para quem assiste, há espaço para concordar, questionar e até se irritar com algumas escolhas. E isso também faz parte do interesse: ninguém precisa considerar as protagonistas exemplares para se envolver com elas.

4. Ter posicionamento traz consequências

A Scarlet se apresenta como uma revista comprometida com as mulheres. Ao longo da trama, essa proposta encontra questões sobre diversidade, representatividade e as decisões tomadas dentro da própria empresa.

Kat concentra parte dessas discussões, com histórias que envolvem identidade racial, sexualidade, participação política e inclusão no trabalho. A série também coloca em pauta a distância que pode existir entre aquilo que uma publicação defende e o que pratica.

É um ponto interessante para quem trabalha com comunicação ou acompanha marcas nas redes: publicar um discurso envolve escolhas sobre quem ganha espaço, quais histórias são contadas e como lidar com as reações.

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5. A moda dá vontade de prestar atenção

Os figurinos são um convite para observar combinações, acessórios e maneiras diferentes de construir uma imagem. O ambiente da revista também permite acompanhar o trabalho de moda como parte da narrativa, especialmente na trajetória de Sutton.

Você pode assistir reparando nas cores, nas proporções ou naquele detalhe que muda uma composição inteira. A inspiração não precisa virar uma lista de compras: às vezes, basta testar de outro jeito duas peças que já estão no armário.

E vale olhar para os figurinos como expressão das personagens. As roupas ajudam a construir a forma como cada uma se apresenta e ocupa os diferentes espaços da própria vida.

Bônus: os romances rendem boas conversas

Há química, desencontros e relacionamentos capazes de dividir opiniões. As histórias amorosas também esbarram em questões como carreira, expectativas e planos de futuro.

Dá para torcer por um casal, mudar de ideia e querer discutir tudo com alguém depois. Entre um romance e outro, porém, Jane, Sutton e Kat continuam tendo uma relação especialmente boa de acompanhar: a que construíram juntas.

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