Queda de cabelo na mudança de estação: o que observar

Natalia Macedo

Queda de cabelo na mudança de estação

Você percebe mais fios caindo em certas épocas do ano? A queda de cabelo na mudança de estação pode ter relação com variações naturais do ciclo capilar. Mas, antes de colocar toda a responsabilidade no clima, vale observar o que está acontecendo: queda persistente, quebra e ressecamento têm diferenças que ajudam a entender o problema.

O frio e o calor também entram nessa história por caminhos distintos. Banhos muito quentes, baixa umidade do ar e exposição solar podem afetar tanto a estrutura dos fios quanto o couro cabeludo. Por isso, o cuidado começa por separar os efeitos do ambiente de alterações que precisam de avaliação.

Queda ou quebra: como diferenciar?

A perda de volume pode chamar a atenção nos dois casos, mas queda e quebra acontecem de maneiras diferentes. Na quebra, o fio se rompe ao longo do comprimento. Na queda, ele se desprende do folículo piloso, estrutura da qual cresce.

Ressecamento, calor excessivo, exposição solar e procedimentos químicos podem fragilizar a fibra capilar e favorecer a quebra. Já a queda pode acompanhar o ciclo natural dos cabelos ou indicar condições que interferem nesse processo.

“É fundamental compreender que a quebra da haste capilar e a queda decorrente de alterações no ciclo folicular são fenômenos diferentes, embora possam coexistir”, explica a Dra. Gabriela Chequer, médica e professora de Dermatologia da Afya Educação Médica Itaperuna.

Essa distinção importa porque um fio danificado pelo sol ou pelo secador não indica, necessariamente, uma alteração no ciclo de crescimento. A gente pode perceber menos volume, mas a causa desse resultado precisa ser investigada.

O que explica a queda de cabelo na mudança de estação?

O ciclo capilar apresenta variações ao longo do ano, o que pode tornar a queda mais perceptível em determinados períodos.

Um estudo publicado na revista científica Dermatology, que acompanhou 823 mulheres durante seis anos, identificou uma proporção maior de fios na fase telógena durante o verão. Essa etapa antecede a eliminação natural dos cabelos e ajuda a explicar a influência das estações.

“Embora exista uma sazonalidade fisiológica dos cabelos, é importante compreender que os fatores ambientais também influenciam a saúde capilar”, explica a Dra. Gabriela.

A especialista ressalta que a queda é um sinal clínico, e não um diagnóstico. Alterações hormonais, deficiências nutricionais, predisposição genética e estresse físico ou emocional também podem estar envolvidos. Assim, uma perda persistente ou acompanhada de redução da densidade dos fios não deve ser atribuída exclusivamente ao calendário.

Queda de cabelo na mudança de estação

No frio, o banho quente e o couro cabeludo merecem atenção

O frio, isoladamente, não é considerado uma causa direta de queda capilar. Já a baixa umidade e os banhos muito quentes, comuns nessa época, podem favorecer o ressecamento da pele e alterações na sua barreira protetora.

Esse cenário pode agravar condições inflamatórias, como a dermatite seborreica, popularmente associada à caspa. Ela envolve a produção de sebo, a microbiota do couro cabeludo e a resposta inflamatória de cada pessoa. Quando se intensifica, pode provocar descamação, coceira e vermelhidão e, em alguns casos, contribuir para um aumento transitório da queda.

Nos fios, a água muito quente e o calor excessivo do secador podem comprometer a camada lipídica protetora e a cutícula, estrutura que protege a fibra capilar. O resultado pode aparecer como aspereza, opacidade, ressecamento e maior facilidade para quebrar.

Um estudo publicado na revista Annals of Dermatology demonstrou que os danos à superfície dos cabelos aumentam conforme a temperatura da secagem se eleva.

“Isso não significa que o secador deva ser evitado, mas que sua utilização precisa ser adequada, preferencialmente com temperaturas moderadas, mantendo uma distância segura dos fios e evitando a exposição prolongada ao calor em uma mesma região”, orienta a Dra. Gabriela.

No calor, os efeitos vão da irritação aos danos solares

Nos períodos mais quentes, transpiração, umidade e exposição solar podem favorecer a irritação do couro cabeludo e agravar condições dermatológicas em pessoas predispostas.

Segundo a especialista, suor e oleosidade, por si só, não são causas diretas de queda. Quando associados a processos inflamatórios persistentes, porém, podem contribuir para o agravamento de problemas preexistentes.

Como o sol afeta os fios

A exposição excessiva à radiação ultravioleta pode provocar danos oxidativos à estrutura dos cabelos, em um processo chamado fotoenvelhecimento capilar.

De acordo com a dermatologista, a radiação UVB atua principalmente nas camadas externas dos fios, enquanto a UVA penetra mais profundamente. Essas alterações podem comprometer proteínas, lipídios e melanina, pigmento responsável pela cor natural dos cabelos.

A médica descreve os efeitos: “Na prática, os efeitos incluem ressecamento, perda de brilho, aumento da porosidade, alterações na cor e redução da resistência dos fios”.

Cabelos claros, descoloridos ou submetidos a procedimentos químicos podem ser mais vulneráveis, segundo a especialista. E a atenção ao sol também precisa incluir a pele sob os fios.

“O couro cabeludo também precisa de fotoproteção, principalmente em pessoas com cabelos rarefeitos ou áreas em que a pele fica mais exposta à radiação solar”, pontua a Dra. Gabriela.

Cuidados que fazem sentido em qualquer estação

Alguns ajustes na rotina ajudam a preservar os fios e o couro cabeludo ao longo do ano. As orientações da especialista incluem:

  • Evitar banhos muito quentes, que podem favorecer o ressecamento e comprometer a barreira protetora da pele.
  • Moderar a temperatura do secador, manter uma distância segura dos cabelos e evitar concentrar o calor na mesma região por muito tempo.
  • Adequar a frequência das lavagens ao couro cabeludo. Evitar lavar por medo de aumentar a queda não traz benefício.
  • Adotar medidas de fotoproteção no couro cabeludo, especialmente nas áreas com rarefação ou diretamente expostas ao sol.
  • Observar alterações persistentes, como queda intensa, redução da densidade, coceira, vermelhidão e descamação importante.

Se você percebe esses sinais, a avaliação dermatológica ajuda a identificar a causa e orientar o tratamento. A Dra. Gabriela alerta que algumas formas de alopecia podem provocar danos irreversíveis aos folículos quando não são diagnosticadas e tratadas precocemente. Por isso, esperar a estação mudar nem sempre resolve o problema.

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