A clorofila aparece em suplementos cercados de promessas: melhorar a pele, ajudar no emagrecimento e fazer uma espécie de limpeza no organismo. A água fica verde, o ritual parece simples e a expectativa cresce. Mas as evidências científicas ainda são limitadas para boa parte desses efeitos.
Antes de acrescentar mais um frasco à rotina, vale entender o que essa substância faz, onde encontrá-la e quais benefícios ainda precisam de comprovação.
O que é clorofila?
A clorofila é o pigmento que dá a cor verde às plantas e participa da fotossíntese, processo pelo qual elas utilizam a energia da luz para produzir seu alimento. Ela está presente em vegetais que já fazem parte de muitas refeições.
Nos suplementos, porém, é comum encontrar clorofilina, um derivado da clorofila modificado para se dissolver em água. Essa diferença importa: pesquisas com uma substância ou uma formulação específica não comprovam automaticamente os efeitos de todos os produtos vendidos com o nome de clorofila.
Quais benefícios da clorofila têm respaldo?
A clorofila e seus derivados apresentam atividade antioxidante em estudos de laboratório. Ainda falta esclarecer o quanto esses resultados se traduzem em benefícios para quem consome suplementos no dia a dia.
Também é preciso olhar com atenção para as promessas mais conhecidas:
- Emagrecimento: os estudos são limitados. Uma pesquisa pequena avaliou um extrato de membranas vegetais que continha clorofila, entre outros componentes. Isso não permite atribuir a perda de peso à clorofila isoladamente.
- Pele e acne: algumas pesquisas investigam produtos aplicados diretamente na pele, com poucos participantes. Esses resultados não demonstram que beber clorofila tenha o mesmo efeito.
- Prevenção do câncer: existem pesquisas experimentais e estudos em situações específicas de exposição a substâncias cancerígenas. Os resultados não sustentam recomendar suplementos de clorofila como forma de prevenir câncer na população em geral.
- Efeito detox: faltam evidências consistentes de que acrescentar o suplemento à água promova a eliminação de toxinas prometida na divulgação desses produtos.

Onde encontrar clorofila na alimentação?
É possível consumir clorofila em alimentos comuns. A nutricionista Vitória Abreu cita algumas fontes. “A substância pode ser encontrada na couve manteiga, brócolis e azeitonas. E ainda nas uvas verdes, kiwis e maçã verde”.
Espinafre e outras folhas verdes também entram nessa lista. Ao consumir esses alimentos, você recebe fibras, vitaminas e minerais, além dos pigmentos presentes nos vegetais. Por isso, os benefícios de uma alimentação variada não podem ser atribuídos a um único componente.
Na cozinha, isso pode aparecer em preparações simples: couve refogada no almoço, brócolis como acompanhamento ou espinafre na omelete. E não é preciso montar um prato inteiramente verde. Variar os alimentos e as cores ajuda a ampliar a diversidade de nutrientes.
Vale a pena tomar clorofila em gotas?
As evidências disponíveis não justificam tratar o suplemento como uma etapa obrigatória de uma rotina saudável. Ele também pode provocar efeitos indesejados, como desconforto gastrointestinal e alteração na cor das fezes.
Durante a gravidez e a amamentação, a segurança desses suplementos não foi suficientemente estudada. O Linus Pauling Institute orienta evitar seu uso nesses períodos.
Se você considera usar o produto, converse com um profissional de saúde para avaliar a necessidade e a formulação. Uma recomendação genérica em gotas ou colheres não leva em conta a concentração de cada suplemento nem suas condições de saúde.
Para incluir clorofila na alimentação, o caminho pode começar na próxima refeição, com os vegetais de que você gosta.








