O choque anafilático pode evoluir em poucos minutos, comprometer a respiração e provocar uma queda acentuada da pressão arterial. A reação foi apontada como causa da morte da ex-apresentadora Janaína Barbosa, de 48 anos, após a troca de um medicamento, segundo o relato de uma amiga à imprensa.
O caso chama a atenção para uma emergência que pode começar com manifestações conhecidas, como coceira e inchaço, mas exige atendimento imediato quando afeta funções vitais. Dificuldade para respirar, sensação de sufocamento e desmaio são sinais de alarme.
O que é choque anafilático?
A anafilaxia é uma reação alérgica grave, de início rápido, que pode atingir diferentes partes do organismo. Quando provoca comprometimento importante da circulação, com queda da pressão, o quadro pode evoluir para choque anafilático. Por isso, os termos estão relacionados, mas não significam exatamente a mesma coisa.
Segundo a Dra. Marisa Rosimeire Ribeiro, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), medicamentos, alimentos, ferroadas de insetos e látex estão entre os principais desencadeadores.
A gravidade está na velocidade com que a reação pode avançar. Identificar os sinais e buscar socorro rapidamente faz parte do cuidado.

Quais sintomas exigem atenção?
Os sinais podem envolver pele, mucosas, respiração, circulação e sistema digestivo. Entre as manifestações descritas pela especialista estão:
- Pele e mucosas: coceira, vermelhidão, manchas e inchaço no rosto.
- Respiração: sensação de sufocamento, tosse, chiado no peito e rouquidão.
- Circulação: queda acentuada da pressão, desmaios e alterações nos batimentos cardíacos.
- Sistema digestivo: náuseas, vômitos, cólicas e diarreia.
- Outros sinais de alarme: tontura e confusão mental.
Você não precisa identificar todos esses sintomas para buscar ajuda. Diante da suspeita de anafilaxia, acione o atendimento de emergência pelo SAMU, no 192. Não espere a reação passar sozinha.
Por que a adrenalina é tão importante?
A adrenalina aplicada por via intramuscular é o tratamento de primeira escolha para a anafilaxia. A orientação consta em documentos do Ministério da Saúde e de sociedades médicas.
Para pessoas que já receberam prescrição de adrenalina autoinjetável, o uso deve seguir o plano de emergência orientado pelo médico, acompanhado do acionamento do socorro. O dispositivo permite administrar o medicamento rapidamente, mas não substitui a avaliação hospitalar.
“A adrenalina autoinjetável é o medicamento de urgência, precisa ser aplicado assim que os sinais da anafilaxia começam. A demora na medicação pode levar a pessoa a óbito, sem tempo mesmo para chegar ao pronto-atendimento”, explica Dra. Mara Morelo.
Diretora de Pesquisa Adjunta da ASBAI, a médica coordena o Registro Brasileiro de Anafilaxia ao lado do Prof. Dr. Dirceu Solé, diretor de Pesquisa da associação.
Medicamentos e alimentos estão entre os principais desencadeadores
O Registro Brasileiro de Anafilaxia reúne informações para ajudar a compreender como essas reações acontecem no país. No levantamento apresentado pela ASBAI, com 318 pacientes, os alimentos responderam por 42,1% das reações, os medicamentos por 32,4% e os insetos por 23,9%.
Entre os alimentos citados estão leite de vaca, mariscos, ovo, trigo e amendoim. Nos medicamentos, aparecem agentes biológicos, anti-inflamatórios e antibióticos.
Esses números descrevem os participantes do registro. Não representam a probabilidade de qualquer pessoa desenvolver anafilaxia ao consumir um desses alimentos ou usar um medicamento.
“A ASBAI criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o perfil da doença entre os brasileiros para que políticas públicas possam ser implementadas no que diz respeito à prevenção e ao tratamento da anafilaxia, considerada a reação alérgica mais grave e que pode levar à morte”, explica a Dra. Mara Morelo, Diretora de Pesquisa Adjunta e Coordenadora do estudo, ao lado do Prof. Dr. Dirceu Solé, Diretor de Pesquisa da ASBAI.
O acesso ao tratamento também faz parte da discussão
Além de mapear os desencadeadores, o levantamento aponta dificuldades no atendimento. Segundo os dados apresentados pela associação, 96,2% dos pacientes receberam algum tratamento, mas houve uso de adrenalina em 50,3% dos casos. Quinze pacientes precisaram de intubação e dez foram reanimados.
A ASBAI também defende medidas para melhorar o registro dos episódios e ampliar o acesso à adrenalina autoinjetável. No material divulgado pela entidade, a Dra. Fátima Fernandes, apresentada como presidente da associação, descreve duas propostas:
“Existem dois projetos de lei apoiados pela ASBAI e em tramitação no Congresso que são de fundamental importância para os pacientes com anafilaxia. O PL 1945/21 discorre sobre a Notificação Obrigatória que permitirá coletar dados oficiais sobre anafilaxia, entender sua prevalência e impactos, e fundamentar políticas públicas eficazes. Já o PL 85/24 dispõe sobre fornecimento gratuito da caneta de adrenalina auto injetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de modo a permitir o acesso rápido e autônomo ao tratamento, especialmente em ambientes domésticos e escolares, sem depender exclusivamente de atendimento hospitalar.”
Para quem acompanha uma pessoa com risco de anafilaxia, reconhecer os sintomas e conhecer o plano de emergência indicado pelo médico são informações que precisam estar acessíveis antes de uma crise.








