quarta-feira, 13 de maio de 2026
Em Belo Horizonte

Somos 53% de BH, mas por que a cidade insiste em esconder os nossos nomes?

Por Natália Macedo · 12 de maio de 2026 · 2 min de leitura Compartilhar
representatividade feminina

Se você caminhar por Belo Horizonte, preste atenção nas placas. Logo, vai notar que a representatividade feminina é quase nula. Nós somos a força que movimenta a capital mineira diariamente. Trabalhamos, cuidamos e construímos o cotidiano da cidade.

Os dados oficiais confirmam o que vemos nas calçadas. As mulheres representam 53,35% da população belo-horizontina, segundo o IBGE. Porém, essa presença enorme não reflete no mapa. Consequentemente, esse apagamento nos espaços públicos é estrutural. Parece que a nossa história não importa o suficiente para batizar lugares.

A desigualdade cravada nas placas

Para entender essa disparidade, basta olhar o programa “Nome de Mulher”. O especial da TV Globo revelou uma verdade dura sobre a memória. Das 12.092 ruas de BH, apenas cerca de 2 mil homenageiam mulheres. Portanto, isso representa míseros 16,53% do total.

Quando olhamos para as grandes estruturas, o cenário piora. Entre os 130 viadutos da cidade, só seis levam nomes femininos. Além disso, a prefeitura não tem uma classificação oficial sobre o tema.

Por causa disso, a equipe precisou cruzar dados públicos. Eles também excluíram nomes de santas para medir a representatividade feminina real. O resultado evidencia um apagamento histórico fortíssimo.

As mulheres que furaram a bolha

Apesar desse bloqueio, algumas trajetórias cravaram suas marcas na cidade. Na Região Nordeste, a Avenida Clara Nunes eterniza a gigante cantora mineira. Ela viveu no bairro Renascença antes de encantar o país.

A luta por moradia é outro motor de mudança. O Bairro Dandara foi reconhecido oficialmente em 2023. Ele nasceu de uma forte ocupação iniciada em 2009. Consequentemente, o local reverencia a grande liderança de Palmares.

Da mesma forma, o Conjunto Zilah Spósito leva o nome de uma ativista social. Ela ajudou famílias da região a conquistarem a casa própria. O Bairro Jaqueline também carrega a presença feminina desde 1981.

O direito à cidade e à memória

O direito ao lazer também é uma conquista nossa. No Padre Eustáquio, o antigo Aeroporto Carlos Prates virou um espaço ecológico. O Parque Maria do Socorro Moreira existe graças a uma líder comunitária. Ela lutou incansavelmente pela vizinhança.

A ironia fica evidente na área da Avenida do Contorno. Lá, somente Bárbara Heliodora e Marília de Dirceu conseguiram nomear vias. Para romper essas barreiras, a força política precisou agir.

Por exemplo, o Viaduto Helena Greco celebra a primeira vereadora eleita após a redemocratização. Ela enfrentou a ditadura e pautou o combate às desigualdades.

Afinal, ter o nome eternizado em uma esquina vai além da homenagem. É a garantia de que a nossa contribuição não será apagada. Definitivamente, é a prova de que a cidade também nos pertence.

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