quarta-feira, 13 de maio de 2026
Cotidiano

O preço do sucesso: por que continuamos abrindo mão de nós mesmas pela carreira?

Por Natália Macedo · 12 de maio de 2026 · 2 min de leitura Compartilhar
saúde mental no trabalho

Você já cancelou a terapia, pulou a academia ou deixou de ver as amigas porque precisava terminar uma demanda urgente do escritório? Se a resposta for sim, saiba que você caminha ao lado da grande maioria. Um novo levantamento revela que a busca por espaço profissional tem um custo altíssimo para nós mulheres. Quando o assunto é saúde mental no trabalho, os números confirmam um esgotamento coletivo e silencioso.

A pesquisa inédita “Mulheres nas empresas”, realizada pela Todas Group e pela Nexus, entrevistou mais de mil mulheres e trouxe um retrato duro da nossa realidade corporativa. Sete em cada dez profissionais (71%) já abriram mão da saúde física ou de seus hobbies em prol da carreira. Metade delas (52%) negligenciou o próprio bem-estar psicológico pelo mesmo motivo.

A conta da sobrecarga chega de formas diferentes

A cultura corporativa nos ensinou que, para chegar ao topo, precisaríamos vestir a camisa da empresa. O problema é que essa camisa costuma virar uma camisa de força. Para as mães, o sacrifício atinge diretamente o tempo com a família (65%). Elas lidam com uma carga mental extrema e sentem a pressão constante de provar que são tão dedicadas quanto seus colegas sem filhos.

Já para as mulheres que não são mães, a falta de saúde mental no trabalho bate recordes (61%), e o impacto se estende para a vida social e os relacionamentos afetivos. Independentemente do cenário em casa, 83% de todas as entrevistadas afirmam ter enfrentado barreiras claras para crescer profissionalmente.

O que realmente queremos (e por que vamos embora)

A exaustão tem limite. Os principais motivos que fazem uma mulher pedir demissão hoje não são pequenos desentendimentos. A lista é liderada por assédio moral ou sexual (47%) e um ambiente tóxico (39%). Quando o esforço não é reconhecido de forma igualitária (71% sentem que seu trabalho é menos valorizado que o dos homens), arrumar as gavetas e sair vira uma questão de sobrevivência.

Nós mudamos as nossas prioridades. A pesquisa aponta que o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é, hoje, o principal desejo de quase metade das mulheres. Em vez de flores no Dia Internacional da Mulher, o que a força de trabalho feminina realmente exige é flexibilidade real, políticas sérias contra assédio e conscientização sobre a nossa carga mental. Não queremos mais negociar a nossa saúde para ter o nosso talento reconhecido.

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