segunda-feira, 11 de maio de 2026
Comportamento

Do suco verde ao “bed rotting”: por que estamos tão cansadas de tentar ser produtivas o tempo todo?

Por Natália Macedo · 11 de maio de 2026 · 2 min de leitura Compartilhar

Se você abriu o TikTok ou o Instagram nos últimos meses, deve ter notado uma mudança curiosa no algoritmo. A produtividade tóxica e a rotina de acordar às cinco da manhã para tomar suco verde e ler sobre negócios estão perdendo espaço.

Agora, a tendência é o “bed rotting”, um movimento em que jovens passam o fim de semana inteiro na cama de pijama. E essa mudança brusca de comportamento não tem relação nenhuma com preguiça.

Na verdade, é um sintoma claro de que as nossas baterias estão esgotadas de forma insustentável.

A ilusão da estética impecável

Durante muito tempo, a cultura pop e as redes nos venderam a ideia de que precisávamos otimizar cada segundo do dia. Assistir a um filme precisava gerar uma reflexão profunda, e fazer cerâmica no tempo livre precisava virar uma lojinha online.

Nós internalizamos a crença de que o nosso valor está diretamente ligado ao quanto conseguimos produzir e monetizar. A estética da “That Girl”, a garota perfeitamente organizada, virou o padrão ouro.

O problema é que essa cobrança nos roubou o direito fundamental de existir sem um propósito útil.

O peso da rotina e a conta da exaustão

A realidade fora das telas explica por que estamos puxando o freio de mão. Uma pesquisa recente da ONG Think Olga mostrou que 86% das mulheres brasileiras sentem uma carga imensa de responsabilidades.

O impacto disso é assustador: 45% das entrevistadas relatam diagnósticos de ansiedade, depressão ou outros transtornos. Tentar equilibrar o trabalho, a vida financeira e a casa se tornou um malabarismo exaustivo.

A pesquisa reforça que a nossa satisfação com a capacidade de conciliar essas áreas é baixíssima. E, no meio desse caos, a mente ainda cobra que deveríamos estar aprendendo um idioma enquanto lavamos a louça.

O direito de não fazer nada

A obsessão da internet pelas “Snail Girls” — mulheres que escolhem o ritmo de um caracol para priorizar o conforto — é uma resposta a esse cansaço. Estamos entendendo que transformar energia em rendimento constante é uma armadilha.

Precisamos recuperar os espaços da vida que não servem para nada além do prazer momentâneo. Ler um romance previsível, maratonar uma série sem escrever uma crítica depois, ou só olhar para o teto.

O antídoto contra a pressão não é criar uma planilha de autocuidado. A cura é aceitar que o nosso tempo livre não precisa gerar lucro, curtidas ou aplausos. Ele precisa, antes de tudo, nos manter inteiras.

 

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