O dia em que percebi que nao sabia mais quem eu era sem ele
Uma historia sobre perda de identidade, divorcio e o lento processo de se encontrar depois.
Tinha 34 anos quando percebeu que nao sabia mais o que gostava. Nao de comida, nao de musica, nao do jeito que passava as ferias. Tudo que escolhia tinha, em algum momento, passado pelo filtro de outra pessoa — o parceiro, a mae, as amigas. Camila levou dois anos e um divorcio para chegar a essa conclusao. E mais seis meses para aceitar que isso nao era fraqueza: era um aviso.
A perda de identidade em relacoes longas e um fenomeno documentado. A psicanalista Jungiana Marion Woodman chamava isso de ‘a mulher que se perde no outro’. Nao por ingenuidade, mas por um aprendizado historico: cuidar, acomodar, harmonizar. So que quando a relacao acaba — ou quando voce finalmente para — ha um vazio onde deveria haver uma pessoa.
O retorno a si mesma
Camila comecou pequeno: uma caminhada sozinha toda manha. Sem podcast, sem celular. So ela e o desconforto de estar com ela mesma sem distracao. Demorou tres semanas para parar de sentir culpa por nao estar sendo produtiva. Mais tres para perceber que estava, afinal, sendo.